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O Citroën C3 e o Basalt estão vendendo muito bem. Mas o problema é justamente o que os proprietários reclamam, e ninguém fala abertamente sobre isso.

Proprietário preocupado ao lado de SUV compacto em frente a concessionária consultando o celular

Artigo atualizado em 5 de Julho de 2026 por João Daniel

O crescimento da Citroën no Brasil é real. Os números de 2025 comprovam isso. Mas em plataformas de reclamações, uma lista de problemas se repete com muita frequência, o que torna impossível ignorá-la para quem pensa em comprar um carro da marca.

NOTA EDITORIAL Este artigo baseia-se em reclamações públicas registadas no Reclame Aqui e no Proteste entre 2024 e 2026, em relatos de proprietários em portais especializados como o PCD Carros e o Meu Citroën, e em dados oficiais de registo da Fenabrave. Não foi inventada nenhuma experiência pessoal com os veículos. O objetivo é oferecer uma visão equilibrada, nem a favor nem contra a marca.

A Citroën teve seu melhor ano de vendas no Brasil em mais de uma década. O Basalt se tornou um fenômeno. O C3 ganhou uma versão XTR e viu um aumento expressivo nos emplacamentos. A história desse crescimento é real e foi bem documentada pela imprensa especializada.

Mas existe outro lado dessa história, e ele está documentado em centenas de relatos públicos de proprietários que compraram exatamente esses carros que aparecem nos anúncios.

Não se trata de demonizar a marca. Trata-se de reunir o que está sendo dito em canais onde os consumidores se expressam sem filtros, para que aqueles que consideram uma compra possam tomar uma decisão mais informada.

O que aparece com mais frequência nas reclamações?

Analisando registros públicos da Reclame Aqui (site brasileiro de reclamações de consumidores) referentes à Citroën, de novembro de 2025 a abril de 2026, a plataforma lista 361 reclamações avaliadas, com uma classificação média de 6,91 e uma taxa de resolução de 80,9%. O tempo médio de resposta da empresa é de 26 dias.

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Esses números revelam algo importante: a Citroën resolve a maioria dos casos, mas isso leva tempo. E os problemas que surgem com mais frequência são suficientemente consistentes para formar um padrão.

Suspensão ruidosa: o problema mais comum.

Ruídos na suspensão aparecem com frequência em relatos de proprietários de C3 e Basalt. O padrão é semelhante em vários casos: o ruído começa cedo, o proprietário leva o carro à concessionária, o veículo passa por ajustes e o problema retorna.

Um proprietário de um Basalt 2025 registrou uma reclamação no Reclame Aqui (site brasileiro de reclamações de consumidores) alegando que o veículo apresentava ruído intenso no banco do motorista desde os primeiros meses de uso. Após pelo menos cinco visitas à concessionária, a necessidade de substituição do banco foi reconhecida, mas a peça permaneceu pendente na fábrica, sem previsão de entrega.

Esse tipo de relatório — problema identificado, peça faltante, prazo indefinido — aparece também em outros casos, com componentes diferentes.

Atraso na entrega de peças de reposição.

Este é possivelmente o ponto mais crítico levantado pelos proprietários. Relatos indicam falta de peças essenciais para reparos, como componentes da suspensão ou elementos da carroceria, que ficam indisponíveis por meses. Quando um carro é danificado em um acidente, o tempo necessário para a substituição pode ser ainda maior. Citroenclube

O problema tem uma base lógica: a família C-Cubed (C3, Aircross e Basalt) cresceu muito rapidamente em volume de vendas. A rede de concessionárias e o estoque de peças nem sempre acompanharam esse ritmo. O resultado prático é que os proprietários de carros com menos de dois anos de uso passam semanas, às vezes meses, esperando que as peças sejam reparadas em garantia.

Num caso registado em fevereiro de 2026, o proprietário de um C3 Aircross de 2024/2025 relatou que o veículo tinha sido levado à concessionária mais de dez vezes para um recall e que, após o diagnóstico de um defeito no turbo, o prazo legal de 30 dias previsto no Código de Defesa do Consumidor foi ultrapassado sem que o problema fosse resolvido.

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Falhas elétricas no C3

Entre os problemas mais comuns relatados pelos proprietários do C3 2025, estão os vidros elétricos defeituosos que se manifestam logo após a entrega do veículo, a suspensão ruidosa com rangidos persistentes, o ar-condicionado ineficiente e falhas elétricas, como defeitos na chave e problemas na rede CAN. Robaizkine

A rede CAN merece atenção especial. Trata-se do sistema de comunicação interna entre os módulos eletrônicos do carro. Quando apresenta mau funcionamento, o impacto pode ser generalizado: falhas na rede CAN podem fazer com que os ícones da bateria e do motor no painel acendam simultaneamente, desativando a direção elétrica e o ar-condicionado. Esse tipo de problema requer diagnóstico com equipamentos especializados — por exemplo, um scanner automotivo.. CAIXA DE DIAGNÓSTICO — e não há solução em uma oficina de reparos comum. Robaizkine

Qual a resposta da Citroën?

Em suas respostas públicas registradas no Reclame Aqui (site brasileiro de reclamações de consumidores), a Citroën Brasil segue um padrão de comunicação comum: entra em contato com a concessionária para investigação, explica que o sistema de logística de peças considera fatores como produção, transporte e demanda, e reforça que as concessionárias são empresas legalmente independentes da fabricante.

Este último ponto é relevante e controverso. Na prática, quando um consumidor tem um problema com a concessionária, a Citroën tende a se posicionar como intermediária, e não como diretamente responsável. Para o proprietário do carro que ficou sem veículo por semanas, a distinção legal entre fabricante e concessionária raramente traz conforto.

A empresa resolveu 80,9% das reclamações registradas na plataforma durante o período analisado, o que indica que os casos geralmente são resolvidos, mesmo que com algum atraso.

Isso significa que o carro está com defeito?

Não necessariamente. E essa distinção é importante.

Qualquer carro com alto volume de vendas gerará um volume proporcionalmente alto de reclamações. O C3 e o Basalt estão entre os modelos mais vendidos em seus segmentos; seria estranho se não tivessem reclamações. O que os dados mostram não é que os carros sejam defeituosos por natureza, mas que existem áreas específicas com ocorrências maiores do que o esperado – suspensão, sistemas elétricos e logística de peças – que precisam de atenção.

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O site brasileiro de avaliações de consumidores Citroëns Reclame Aqui apresenta uma classificação média de 6,91, com 59,6% dos consumidores afirmando que fariam negócios com a marca novamente. Para efeito de comparação, essa é uma posição intermediária no setor automotivo brasileiro – não é um marco, mas também não é um desastre.

O que considerar antes de comprar

Se você está avaliando um C3, Basalt ou Aircross, algumas questões práticas são relevantes:

Qual concessionária irá atendê-lo? A experiência pós-venda varia muito entre as concessionárias. Vale a pena pesquisar o histórico da concessionária específica na sua cidade no Reclame Aqui (um site brasileiro de avaliações de consumidores) antes de fechar negócio.

A rede de saúde da sua cidade é autorizada? Em cidades menores, pode não haver uma concessionária Citroën por perto, e a marca está em processo de expansão de sua rede, com o objetivo de dobrar o número de pontos de venda. Verifique se sua região já está atendida.

Você tem paciência para esperar na fila por peças? Se o carro precisar da substituição de um componente menos comum durante o período de garantia, relatos indicam que o tempo de espera pode ser longo. Isso não é exclusivo da Citroën; acontece com outras marcas também, mas é algo a se considerar.

O preço justifica os riscos conhecidos? O Basalt e o C3 têm preços competitivos considerando o que oferecem. A questão é se o custo de uma possível longa espera por peças ou visitas repetidas à concessionária está incluído nos seus cálculos.

A Citroën vive uma boa fase no Brasil. Os números de vendas são reais, a estratégia de produto faz sentido e existe, claramente, uma demanda genuína pela família de modelos C-Cubed.

Mas o crescimento rápido tem um preço, e parte desse preço está sendo pago pelos primeiros compradores, que se depararam com uma infraestrutura de suporte técnico e logística de peças que ainda não acompanhou o ritmo das vendas.

A boa notícia é que a maioria dos problemas relatados pode ser resolvida em garantia. A má notícia é que a resolução desses problemas pode demorar mais do que o esperado.

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João Daniel

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